O estado da arte. Com arte. Desde 2002.

Publicidade

                           

 
 
 
::: Principal  
::: Expediente  
::: O Debatedouro?  
::: Blog dos Editores  
::: Parceiros  
::: Assine Grátis!  
 

 

 

 

::: Edições anteriores

 
      79  
78 77 76 75  
74 73 72 71  
70 69 68 67  

66

65 64 63  
 62 61 60 59  
 58 57 56 55  
54 53 52 51  
(Mais edições)  
 
 

CONVERSA

Embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti

 

No dia 16 de julho de 2008, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti completa um ano à frente da Missão do Brasil nas Nações Unidas. Primeira mulher a chefiar a Missão, Ribeiro Viotti trouxe para Nova York a experiência de 30 anos de Itamaraty. Poucos meses após apresentar suas credenciais ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, ela já liderava os trabalhos da Comissão de Consolidação de Paz para produzir uma estratégia pacífica para a Guiné-Bissau, um outro país de língua portuguesa, na África.


O que o país pretende realizar nesse segundo mandato no Conselho de Direitos Humanos?

Maria Luiza Ribeiro Viotti
: A reeleição do Brasil ao Conselho de Direitos Humanos com uma votação superior em relação à eleição para o primeiro mandato é um fato muito auspicioso. Acho que reflete um reconhecimento da contribuição que o Brasil pôde fazer não só para a criação do Conselho, mas para sua consolidação institucional. Creio que durante o segundo mandato vamos reforçar nossa atuação, dando seguimento a iniciativas importantes que o Brasil tem lançado, como por exemplo a proposta de definição de metas voluntárias em matéria de direitos humanos, para adoção ao final deste ano, quando se comemoram os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos. O Brasil presidiu o Grupo de Países da América Latina e Caribe durante os dois anos iniciais do Conselho de Direitos Humanos, tendo contribuído para o estabelecimento de um dos avanços do Conselho em relação à Comissão que o precedeu, que foi o Mecanismo de Revisão Periódica. O Brasil submeteu-se voluntariamente a essa revisão. O relatório brasileiro foi muito bem recebido, inclusive pela forte participação da sociedade civil em sua elaboração. O Mecanismo de Revisão Periódica é algo muito positivo pois trata-se de um instrumento mais universal, menos seletivo e que ajuda a reduzir o nível de politização no tratamento das questões de direitos humanos.


Como a sra. falou, o país passou por esse Mecanismo de Revisão Periódica e houve algumas recomendações, também com relação ao sistema carcerário brasileiro. Como o país pretende implementar essas recomendações?

MLRV
: O Brasil considera que as recomendações do Conselho são válidas e nos ajudam a reforçar a atuação interna. Os problemas apontados, entre os quais a situação prisional, são reconhecidos pelo governo e pela sociedade no Brasil, havendo estratégias para enfrentá-los. As recomendações são bem-vindas, assim como são bem-vindas as manifestações positivas em relação a avanços que o Brasil já realizou e continua a realizar em matéria de direitos humanos, como por exemplo os progressos na área do direito à saúde e à alimentação. O Brasil já alcançou a primeira Meta de Desenvolvimento do Milênio, que é a redução da fome e da pobreza. Essa conquista foi muito valorizada no exame do Brasil pelo Conselho de Direito Humanos. Temos feito progressos também na área de saúde, na área de combate a doenças como HIV/Aids, tuberculose e malária, na área de combate à violência contra a mulher e do combate ao racismo. Esses progressos que foram reconhecidos durante nossa apresentação.


Como a sra. analisa a probabilidade de uma assento no Conselho de Segurança e também o futuro do país na organização?

MLRV
: O que se nota aqui nas Nações Unidas é um crescente reconhecimento das credencias do Brasil para um assento permanente num Conselho de Segurança ampliado. Tenho muita confiança de que, ao ampliar-se o Conselho de Segurança, o Brasil será um dos países contemplados. Noto também um forte consenso de que essa reforma é necessária, para que o Conselho possa refletir as realidades contemporâneas, que são muito diferentes da realidade política prevalecente à época da criação das Nações Unidas. O que ainda não está muito claro é a modalidade de expansão que poderia ser factível neste momento. Essa definição terá que ser o resultado de negociações. Há consultas em curso para que se estabeleça um processo negociador com esse objetivo. A Missão do Brasil está muito empenhada. Temos trabalhado de forma articulada com o conjunto de países que têm aspirações semelhantes, o chamado G-4, que compreende Alemanha, Brasil, Japão e Índia.


Um outro exemplo da ativa participação brasileira é a Guiné-Bissau, país de língua portuguesa que está emergindo de um conflito a caminho da paz. A senhora está presidindo essa primeira fase de estratégia para a Guiné. O que pode nos contar sobre esse processo?

MLRV
: A experiência de coordenar a configuração para Guiné-Bissau da Comissão de Construção da Paz das Nações Unidas tem sido muito interessante. Visitei o país duas vezes este ano, desde que o Brasil assumiu a coordenação. Estive em Bissau em fevereiro, e voltei em abril, com uma delegação da Comissão. Essas visitas e a interação constante com o governo e a sociedade de Guiné- Bissau têm permitido identificar as principais prioridades do país para a consolidação da paz e a promoção do desenvolvimento. A realização de eleições legislativas de forma transparente e livre é uma das prioridades imediatas. Há um ambiente de estabilidade, que precisa ser mantido, e há um grande potencial a ser explorado para o desenvolvimento do país na área da agricultura, da pesca e do turismo. Nosso papel é o de mobilizar a comunidade internacional para apoiar Guiné Bissau no fortalecimento de suas instituições e na reativação de sua economia. Vários países têm vindo contribuir para esse esforço, seja através de aportes financeiros, seja através de cooperação técnica, como é o caso do Brasil. Estamos muito esperançosos de que nosso trabalho possa ajudar Guiné Bissau.


Como o Brasil pretende convencer os críticos e céticos de que o etanol é o futuro de uma estratégia de desenvolvimento sustentável?

MLRV
: Esse convencimento vendo sendo feito no dia-a-dia. Aqui na ONU, temos tido várias oportunidades. O Presidente Lula enviou mensagem à reunião de alto nível do Conselho Econômico e Social, Ecosoc, que se realizou em maio, para afirmar que o etanol, conforme demonstra a experiência brasileira, contribui para a geração de energia limpa e barata, e para a criação de emprego e renda. O Presidente esclareceu também que o etanol brasileiro, que é produzido a partir da cana de açúcar, não compete com a produção de alimentos. Ao contrário, o aumento da participação do etanol na matriz energética brasileira tem coincidido com o aumento considerável da produção e exportação de alimentos. Isso tem sido possível demonstrar com fatos, números e estatísticas, e espero que pouco a pouco haja uma melhor compreensão por parte da comunidade internacional a respeito dessa questão. O Professor Jeffrey Sachs, eminente economista norte-americano, que freqüentemente participa das reuniões da ONU, tem corroborado nossos argumentos e a visão de que o etanol no Brasil é um programa que faz sentido, do ponto de vista econômico, social, energético e como importante componente de uma estratégia de combate à mudança climática.

Entrevista concedida à Rádio das Nações Unidas, à qual se reservam todos os direitos.

 

® O Debatedouro - ISSN 1678 6637

 

O Debatedouro®, 2002-2008. Todos os direitos reservados.